Nossas historias - Medicina sem Vestibular

domingo, 25 de agosto de 2013

Ola pessoas, esta historia foi contada pelo Arthur em um grupo que participamos no FB. Achei muito interessante, e com a autorização dele, resolvi postar aqui pra vocês. Espero que possa inspirar e ajudar pessoas que como ele também queiram estudar medicina em um outro país. Vamos a historia!

MEDICINA SEM VESTIBULAR, deve ser umas das frases mais buscadas por jovens brasileiros frustrados no Google. Temos a opção de fazer em Cuba, Argentina, Bolívia, Paraguai,
Todo mundo chega lá com o mesmo sonho em fazer medicina, achando que a UBA caiu do céu, foi assim q eu cheguei aqui. Já que é federal, não tem vestibular e ainda tem até prêmio Nobel, parece até o paraíso.
Com similitudes, a minha história terminou triste, digamos... Cheguei em Buenos aires em Junho de 2011. Por intermédio de uma assessoria, cheguei ao pais de Los Hermanos sabendo dizer somente Hola! Que tal? Não pude fugir das minhas raízes tupiniquins e fui logo morar com meus conterrâneos. Buenos Aires foi amor à primeira vista... Eita cidade bunita sô!

Conheci e conheço várias pessoas que fizeram alguns anos na UBA e caíram fora, por múltiplos fatores: saudade da família, dificuldade de adaptação a faculdade, burrice, preguiça entre outros… Queria conhecer uma pessoa que se forma na UBA em menos de 9 anos, 10 anos, a média lá é essa! O lema da UBA é: aluno autodidata se forma, aluno preguiçoso fora! Porque não tem aula como no Brasil, lá o aluno tem que se virar sozinho.
No meu primeiro dia de aula na UBA, deu para perceber pela roupa que metade da minha sala era composta por brazucas. Eu achei um máximo! Poderíamos montar grupos de estudo, conversar em português e não se sentir tão sozinhos aqui.
As aulas eram relativamente boas, todas em espanhol claro mas, quem fez aula de espanhol antes, como eu, se deu bem! Eu entendia tudo e tive uma nota boa na prova, algo que eu jamais acreditava possível. Mas a saudade piorava a cada dia. E era saudade de tudo: comida, mãe, pai, irmã e cachorro! A estranheza a um povo diferente, comida sem sal e episódios de xenofobia me davam medo e força ao mesmo tempo. Os argentinos teriam que me engolir!

Conheci muitos brasileiros que não estudavam. Que nem sequer sabia do que se tratava a matéria e mentia para mim e para outros que estava estudando, que tirou dez na prova, que a professora elogiou a fluência em espanhol. Mas a máscara desses cai logo pois a professora diz nota de todos no final. Foi uma vergonha tão grande para esses que eles nunca mais voltaram a faculdade.
Malandro a gente vai encontrar em qualquer lugar, porém a metodologia de ensino de uma privada é a mesma da UBA: sem professores, aulas sendo ministradas por ajudantes, provas decoreba que inclusive você pode comprar na banca uns modelos que terão muitas perguntas iguais na sua prova. Então tem que ralar sozinho seja na UBA ou em uma particular. Mas há aqueles que não querem perder uns meses de vida "social" para ralar e passar no CBC, pois exige muito do aluno principalmente pela dificuldade do idioma. Porém há também aqueles que querem realmente e chegam determinados a estudar e aprovam!

A esperança e a certeza de que eu estava fazendo algo por um bem maior me ajudaram a suportar a saudade e as aceitar as diferenças. Mas não foram suficientes para apagar as tristezas. As outras provas revelaram quem realmente era bom e quem não estudava. Eu aprovei mas muitos dos meus amigos não. Eles estudaram o mesmo que eu, um deles até era mais aplicado e não aprovou.
Cursei outras matérias conseguintes. As aulas foram piorando e as provas ficando cada mais difíceis. Depois de passar estudando muito toda a cursada, descobri que eu não aprovei! Para mim foi um choque porque eu nunca reprovei nenhuma matéria, nem mesmo nas tantas vezes no Brasil que eu fazia provas sem ter estudado.

Daí resolvi ir para uma privada pensando que a coisa iria melhorar e que eu teria aulas com professores qualificados. O primeiro mês foi quase uma maravilha, tinha professores de Embriologia e Biologia Celular que apesar de não serem muito didáticos eram o top do top! Aprovei acima da média, um sucesso!
Até que começamos as aulas de Anatomia, Histologia que não tínhamos professores. Eram alunos de 2°, 3° e 4° ano que ministravam as aulas. Mas daquele jeito como vocês imaginam... pelos coco! Eu e meus companheiros não entendíamos nada, as notas das provas eram um horror! Muitos desistiram antes do meio do ano!

Mas... se você quiser fazer aula a noite tem jeito, alguém já viu aula de medicina a noite no Brasil? e ainda por cima, nem todo dia tem aula! Carga horaria? só na teoria queridos! Na pratica é você e libro juntos forever sentado na sua casa. Conheci uma argentina por uma amiga em comum que estudava anatomia somente pelos modelos de prova. Você acha que essa garota está preparada para ser medica? Aqui na UBA sim…porque ela já está no quinto ano! Na UBA é dividido em cátedras, é bem na sorte, se você cai em uma cátedra difícil ou em uma impossível, até prova oral surpresa tem, e se você erra... tchau!
É verdade que a Argentina, em questões de medicina humanitária, o Brasil nem se compara. Mas, também é verdade que com ideais tolos você não vai conseguir revalidar o diploma, e nem exercer a profissão no Brasil. O princípio básico da medicina, é salvar vidas, mas, não vamos ser hipócritas em dizer, que entramos no curso, dedicando tempo e dinheiro, com o intuito de trabalhar de graça.

Em níveis se ensino, as públicas da Argentina, se equiparam ao Brasil. A UBA por exemplo, é a única universidade da América Latina a ter cinco Nobel, dois deles de medicina. Minha opinião é a seguinte: Se seu objetivo for trabalhar no Brasil, e tiver condição de pagar uma particular, é melhor estudar no Brasil. A revalidação do diploma é difícil, demorada e cansativa. Muita gente desiste, e acaba por trabalhar clandestinamente no interior. O que é mais perigoso ainda, pois essa ação abre caminho para muitos vigaristas em busca de um dinheiro fácil.

Aqui a gente vai procurando conhecer pessoas que passaram o mesmo que a gente para ver a realidade de outros e tentar entender nossas frustrações, medos e perspectivas em relação a vida aqui. Falei com uma amiga essa semana e ela me disse: “Conheço muitas pessoas que estão três, quatro anos tentando revalidar, e não conseguem. Uns por incompetência da universidade que cursam, outros porque não se preparam para o exame e tem também aqueles que afirmam que a prova é injusta. Eu ainda não fiz essa prova, não o que me espera mas pedi uma amiga que estudou comigo no cursinho para avaliar umas questões que eu encontrei na internet e para ela a prova, como qualquer outra, tem suas dificuldades mas nada impossível. Então cabe a vocês julgarem…”

Mas, se seu objetivo for exercer a profissão na Europa, aí sim, faça na Argentina. Muitas faculdades têm convenio com outros países, sem contar que nos países que você precisa revalidar o diploma, nem é tanto burocrático quando no Brasil. Um médico europeu, no começo de carreira, ganha de cinco a sete mil euros, é muito mais valorizado do que no Brasil e as condições de trabalho são bem melhores. Eu mesmo estava me aventurando nessa ideia!

Hoje, eu me despido daqueles que ainda acreditam nesse presente de grego, e também dos que fizeram da minha vida aqui mais feliz. Daqui vou levar experiências para toda minha vida, pessoas incríveis e amigos para toda vida! A minha vida é mesmo no Brasil, com ou sem vestibular. É esse o país que me faz sentir mais humano e valioso! Com todos os problemas e dificuldades.
Sorte para quem se aventura a estudar na Argentina!

Para acessar a ultima historia de vida clique aqui.

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