O Racismo nosso de cada dia

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Quando era criança aprendi logo o que era preconceito, racismo e discriminação. Não lembro exatamente qual a idade em que me dei conta de que eu era diferente, e por ser diferente eu deveria me sentir inferior. Mas lembro bem dos apelidos quais eram destinados a mim e a todos meus colegas de pele negra. E foi no lugar que eu deveria ser educada, que eu aprendi da maneira mais cruel o que era a discriminação.

Eu não lembro de minha mãe falar de maneira negativa sobre nossa cor de pele, ou mostrar se sentir inferior aos outros porque era negra. Minha mãe sempre correu atrás das coisas, tratou de fazer um curso e se profissionalizar para ter mais chances de um emprego melhor. Prestou concurso e passou. Não recordo dela se queixar das coisas serem difíceis porque éramos negras, as coisas eram difíceis porque éramos pobres.

E apesar de minha mãe não ter nos ensinado a ser negativas quanto a nossa cor de pele, ou a proferirmos palavras racistas, minhas irmãs e eu aprendemos. Na rua, na escola e em todo lugar aonde passavámos.

Eis abaixo o discurso de Lupita Nyongo num evento que ela participou depois de ter ganho o Oscar. Ela ganhou como melhor atriz coadjuvante este ano. Fez um lindo discurso na ocasião, incentivando as pessoas a não desistirem de seus sonhos.

O discurso dela foi como uma conexão telepática. Pois como ela, várias vezes eu me senti feia ou inferior por ser negra, como ela, várias vezes eu rezei pedindo a Deus pra ser branca, várias vezes eu quis ter nascido branca. Tudo para poder me sentir normal e bonita. Várias vezes eu procurava alguém pra me identificar, e não tinha. Nem na TV, nem nas revistas, muito menos na escola.

Hoje eu vejo o racismo continuar sendo propagado. Todas as vezes que chamam os cabelos de pichaim, vassoura, e insistem para que as mulheres brasileiras destruam sua herança africana, nossa origem os alisando a todo custo. Todas as vezes que riem de nossos traços, que os ridicularizam e nos impõe padrões que não são os nossos.

Quando deixam de adotar uma criança porque ela é negra. Quando invadem as periferias sem nenhum critério, porque não passam de negros favelados, quando negam educação, saúde e segurança. Quando vulgarizam nossos corpos chamando nosssa pele de "A cor do pecado".

Quando acham que só porque o cara é negro ele é burro ou é bandido. Quando nos chamam de macacos, como se cientificamente a humanidade não tivesse advindo deles, ou de "neguinhos", como se ser negro fosse um defeito.

Não adianta dizer que você não é racista, quando tudo o que você faz ou diz remete a isso. Consciente ou inconsciente, toda vez que propagamos tais pensamentos ou ações, estamos praticando o racismo nosso de cada dia!

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